A esquizofrenia vendida caro às mulheres….

28.10.2013
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Aconteceu de por acaso eu estar neste cenário e ter visto essa mocinha quando ela faz a foto. Uma amiga disse que devia ser uma modelo. Olhei e vi uma magreza esquelética, feia. E não dei muita atenção.Aí me aparece este post da Petria Chaves, com comentários sensacionais. No texto da reportagem: “Entre os fãs da Angel, muitos elogios ao corpo perfeito da top. ‘Perfeita… me mata de orgullho’ e ‘Tchau, vida, vou morrer com essa barriga’ foram alguns dos comentários dos seguidores de Izabel. Quem não sonha com esse corpo, não é?”

É isso que as revistas femininas estão oferecendo para nossas mulheres lerem? Marie Claire, editora Globo. Intoxicando nossa sociedade com esse tipo de imagem, colocando-as no pedestal do desejável (ou pior, do inalcançável), induzindo meninas de 13 anos à anorexia. Obrigado, Marie Claire, pela sua contribuição para a patologia social da modernidade. Aliás, não deve ser à toa que os dois comentários publicados falam em morte. Me mata, vou morrer. Já vi meninas morrerem de verdade por isso.

Recebo adolescentes no consultório sofrendo com anorexia mental, tentando dar conta de expectativas impossíveis, alcançar um ideal fantasioso, imposto pelo mesmo mercado que lhes empurra, pela publicidade, para o consumo de comida industrial, sorvetes, biscoitos, salgadinhos, refrigerantes e doces. Não é à toa que elas enlouquecem em meio a essas mensagens antagônicas, de uma crueldade extrema. Não é por acaso que uma outra doença torna-se cada vez mais mais comum em meninas adolescentes: a síndrome do pânico. Como não ter pânico diante de uma sociedade tão esquizofrênica?

Quer mais esquizofrenia? Enquanto as revistas femininas endeusam o ideal esquelético, as masculinas cultuam o visual paquiderme: coxas de hipopótamo, seios em bola de vôlei e próteses de bunda com meio metro de profundidade. O corpo igualmente deformado, mas agora pela plástica, pelo silicone, pela malhação compulsiva com pesos extremos que machucam e destroem, e pelos esteróides que acabam com a saúde.

Em ambos os extremos, essas revistas, que se alimentam da patologia e da compulsão, criando e reforçando padrões estéticos grotescos, corpos deformados por comportamentos doentios. A doença da beleza – ou pra mim: da feiúra. É um processo perverso, chamado estetização da saúde. Já temos 4 ou 5 revista especializadas em cirurgia plástica, anunciando concursos de garota bisturi (acredite), próteses com células tronco, barriga tanquinho para mães que acabaram de parir, próteses para meninas de 15 anos.

Estamos levando a extremos impensáveis o narcisismo, o individualismo, e a anomia; a aceitação acrítica desse lixo por indivíduos desprovidos de um mínimo de subjetividade.

Izabel Goulart se despede do Rio de Janeiro e mostra corpo perfeito
http://revistamarieclaire.globo.com/Beleza/noticia/2013/10/izabel-goulart-se-despede-do-rio-de-janeiro-e-mostra-corpo-perfeito.html

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