Água mineral não é sinônimo de saúde

26.11.2015
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Notícia impressionante, mas não surpreendente: Anvisa proíbe venda de água mineral da Nestlé, por risco de causar infecções em grávidas e crianças

A água mineral é um mercado perverso. As empresas nos convencem de que ela é mais segura que a água de filtro. Na maioria das cidades de países desenvolvidos, a água da torneira é melhor que a mineral em sua composição e pureza. No brasil, temos a incompetência e a inconfiabilidade das autoridades públicas – e a ganância e perversidade das empresas como a Nestlé e Coca Cola, acusada de crimes ambientais no Brasil e no mundo em torno desta questão. Por isso mesmo, precisamos usar a água que nos é oferecida em nossa casa, e pela qual pagamos caro.

No Brasil, estudos mostram que a água filtrada é segura e saudável – e o melhor filtro parece ser aquele básico, de cerâmica vermelha (verifiquem, esta não é uma afirmação).

Água mineral é um negócio insustentável: milhões de toneladas de carbono são gastos na sua produção; as empresas fazem mal à natureza em sua prática predatória, esgotam e poluem as fontes; e ainda temos nosso descaso com as milhões de garrafas PET jogadas em nossos oceanos, rios, baías e lagoas diariamente, sem que as produtoras assumam qualquer responsabilidade.

Com uma notícia dessas, fica a dica: boicote agua mineral sempre que possível. Use um bom filtro – você economiza, faz bem à sua saúde e ao que resta do nosso planetinha.

Não deixe de ver o video no link.:
https://www.youtube.com/watch?v=sCE5BHnONxA

E aproveitamos, vamos pensar no que está acontecendo em Rio e SP:
O Rio também já está usando o volume morto dos reservatórios. A expressão é significativa: o volume morto prenuncia a morte. Imagino cidades como Rio e SP sem água. Caos, revolta, violência, doença.

Nas últimas semanas estive na California e em Israel – dois dos lugares mais secos do mundo. E não se fala em racionamento, ou crise hídrica. Existe gestão, existe política que pensa o futuro, e não a próxima eleição. Em Israel, um país assentado num deserto, quando contava da nossa crise, a reação era o descrédito ou a risada. No brasil? Esse reservatório mundial de água doce? que seria invadido nas guerras do futuro quando faltasse água no hemisfério norte?

Temos saídas e alternativas, se levarmos isso a sério em vez de fazer piadas e nos deixar paralisar pelo nonsense da situação. Se algum desses infelizes no poder fosse possuído por um espírito de estadista, convocaria uma reunião ampla, um grande seminário, com políticos, especialistas do Brasil e estrangeiros, empresas, mídia e sociedade civl. Visando um debate técnico, sério, que gere soluções concretas, imediatas e a longo prazo.

Esta deveria ser uma atitude conjunta dos dois governos estaduais, municipais e do federal. E uma das medidas imediatas deveria ser o início de reflorestamento das nascentes dos rios em nossa região, e o aperto absoluto – via exército, inclusive – no desmatamento da Amazonia. São coisas óbvias, mas complexas; mas a crise é extremamente grave, e exige uma certa exceção; um esforço de união nacional e de rompimento de inércia, interesses múltiplos e fragmentados. Tudo em nome da vida.

Isso certamente encaminharia uma solução. Mas essa possessão dificilmente vai ocorrer na alma dos políticos que temos à disposição (que elegemos, aliás).

Vivemos num estado de paralisia por hipnose: diante do gigantismo e da complexidade do problema, fazemos grunhidos, queixas e piadinhas; e os políticos apostam em um Deus brasileiro, que não virá.

OdedGrajew, da Rede Social Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis, manifestou essa urgência.http://nossasaopaulo.org.br/noticias/alarme-por-oded-grajew.
A gente tem que se juntar a esse grito, que por ora é muito fraco. Me parece que a iniciativa terá que vir da sociedade civil. Tem gente se mobilizando – pense nisso você também.

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