Alimentação é cultura e aprendizagem

30.11.2015
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Há alguns meses escrevi um artigo listando 8 critérios para escolher uma boa creche para seu filho ou filha. Ele está aqui:

http://pediatriaintegral.com.br/creches-alguns-criterios-para-a-escolha/

Um dos critérios mais importantes é o cardápio. Eu dizia: ” Almoço e jantar em geral não representam problemas. Preste atenção nos lanches – é ali que mora o perigo. Considero um erro grave – e a maioria das creches o cometem – dar açúcar para bebês. E os lanches são povoados de “inocentes” geléias de mocotó, biscoitos maizena, Nestons e Mucilons, gelatinas, bolinhos e sucos adoçados. Baratos, de ótima aceitação, mas muito nocivos. “Comeu tudinho” – assim fica fácil. Aí chega em casa e não quer a fruta natural ou o brócolis – que surpresa… Não é necessário envenenar desde o berçário. Melhor deixar o açúcar para as exceções, os momentos festivos, fora da rotina”.

Ontem me deparo com um exemplo radical: uma creche no Rio que chega a extremos para inundar bebês de 8 meses de açúcar. Chega a ser inacreditável. Veja as combinações diárias: Mucilon com geléia de mocotó. Mucilon com Karo – puro xarope de frutose. Banana com biscoito. Frutas com geléia e Neston.

O que é isso? Em 2015, com todo o conhecimento, artigos, textos, reportagens, filmes e livros sobre o veneno que o açúcar representa, uma creche, cuja função precípua é cuidar de nossos filhos, chegar a um exagero desses? Para bebês que estão formando seu sentido de paladar? Que estão começando a conhecer o sabor dos alimentos e comendo de forma saudável, natural? Onde estão as pessoas responsáveis pela nutrição e pela saúde desses bebês?

Essa creche tem filas para reserva de matrícula. Me é difícil entender isso. Me pergunto, se é assim que uma instituição alimenta nossos filhos, que proposta educacional ela terá? Será que essas crianças terão educação nutricional, mais tarde? Se sua filha está numa creche ou colégio assim, participe: reúna outros pais, questione, leiam artigos, conversem com a direção e a nutricionista. Práticas como essa, em pleno século XXI, são inaceitáveis.

Faço minhas as palavras do blog Mamatraca:
“Alimentação é cultura e é também aprendizagem. Hortas, aulas de culinária, experiências gastronômicas com alimentação saudável seriam um excelente momento para transformar o cuidado com a saúde em prática diária e ainda oportunidade de aprendizado para outras esferas do conhecimento, como química, física, matemática e biologia. É inacreditável que ainda vivemos um modelo escolar que não coloca comida – aquilo que levamos à boca e engolimos para nutrir o corpo – como ítem de maior importância”.

 

http://mamatraca.com.br/?id=605&10-coisas-que-eu-odeio-em-voce%3A-escola

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