Crianças com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade

29.11.2015
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Estudo muito interessante: certa crianças precisam de movimento para aprenderem. Crianças com diagnóstico de TDAH aprendem melhor quando movimentam seu corpo. Isso abre perspectivas para a pedagogia, não só para elas, mas para muitas crianças inquietas, com essa característica – crianças que precisam se mexer para pensar.

O estudo relembrou a incrível e imperdível palestra de Ken Robison, que já assisti dezenas de vezes sem nunca me cansar – você aprende, se fascina e ri durante 20 minutos. Ela é capaz de mudar toda nossa concepção sobre educação – não perca.

Ele conta a seguinte história.

“Fui motivado por uma conversa que tive com uma mulher maravilhosa que se chama Gillian Lynne, já ouviram falar dela? Alguns já. Ela é uma coreógrafa e todo mundo conhece seu trabalho. Ela trabalhou em “Cats”, e “O Fantasma da Ópera”. Gillian e eu almoçamos um dia e eu perguntei: “Gillian, como você se tornou dançarina?” E ela respondeu que foi interessante: quando ela estava na escola, ela vivia desanimada. E a escola, nos anos 30, escreveu para os pais dizendo: “Achamos que a Gillian tem dificuldade de aprendizado.” Ela não conseguia se concentrar, era inquieta. Eu acho que hoje diriam que ela tinha TDAH. Não acham? Mas eram os anos 30, e TDAH não tinha sido inventado ainda. Não era uma doença disponível. As pessoas não sabiam que podiam ter aquilo.

Então a mandaram para um especialista. A sala era toda em madeira. Ela estava com sua mãe, e a puseram numa cadeira no canto, e ela sentou sobre as mãos por 20 min enquanto um homem conversava com sua mãe sobre os problemas que a Gillian vinha tendo na escola. E no final.. Porque ela estava perturbando as pessoas, as tarefas estavam sempre atrasadas, e assim por diante, um criança de oito anos. No final o médico sentou ao lado da Gillian e disse: “Gillian, eu ouvi todas as coisas que sua mãe me disse, e eu preciso conversar a sós com ela.” Ele disse: “Espere aqui, já voltamos. Não vai demorar.”, e eles deixaram ela sozinha. Mas enquanto eles saiam da sala, ele ligou o rádio que estava sobre a mesa. E quando eles saíram da sala, ele disse para a mãe: “Só a escute e a observe.” E assim que eles deixaram a sala, ela disse, ela estava de pé, se movendo com a música. Eles observaram por alguns minutos e ele se virou para a mãe e disse: “Sra. Lynne, a Gillian não está doente, ela é uma dançarina. Leve-a para uma escola de dança.”

Eu perguntei: “O que aconteceu?” Ela respondeu: “Ela levou. Não consigo descrever como foi maravilhoso. Entramos numa sala cheia de pessoas como eu. Pessoas que não conseguiam ficar paradas. Pessoas que precisavam se mexer para pensar. Precisavam se mexer para pensar. Eles ensinavam ballet, sapateado, jazz, dança moderna, contemporânea. Ela eventualmente fez um teste para a Royal Ballet School, se tornou uma solista e teve uma carreira fantástica na Royal Ballet. Ela depois fundou sua própria empresa, a Companhia de Dança Gillian Lynne, e conheceu Andrew Lloyd Weber. Ela foi responsável por alguns dos musicais mais bem sucedidos na história, deu alegria para milhões, e é multimilionária. Outra pessoa poderia ter receitado um remédio e dito para ela se acalmar”.

Minha crítica à psiquiatria e ao uso de medicamentos para crianças (e adultos) é relativa ao excesso de diagnósticos, aos falsos diagnósticos, ao abuso de medicamentos. À nossa incapacidade de lidar com crianças um pouco diferentes. Crianças com o distúrbio existem e devem ser tratadas – com medicamentos também (existem alias muitas outras intervenções tao eficazes quanto) – o que não se pode é tornar zumbis milhares de crianças saudáveis porque não se adequam aos padrões exigidos pelas escolas, famílias ou sociedade.

“Se Einstein, Steve Jobs, ou John Lennon tivessem nascido em nossa década, teriam sido classificados como portadores de algum transtorno e medicados. E o mundo teria sido privado de sua genialidade”.

Quantos cientistas e artistas, quantas bailarinas e coreógrafos, quanta gente de bem, quantos revolucionários estaremos perdendo?

Aqui, a palestra – assista várias vezes.
http://www.ted.com/talks/ken_robinson_says_schools_kill_creativity?language=en

 

Aqui, o estudo:
http://www.univadis.com.br/medical-news/53/Hiperatividade-ajuda-criancas-com-TDAH-a-aprender?utm_source=newsletter+email&utm_medium=email&utm_campaign=medical+updates+-+daily&utm_content=168199&utm_term=automated_daily

 

 

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