Crianças: já pra fora!!

26.11.2015
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Cada vez temos provas mais definitivas de que o uso de telefones celulares pode causar tumores cerebrais malignos.

Um estudo recente, sueco, considerado de alta qualidade, publicado na revista Pathophysiology, demonstrou que o risco de tumores malignos triplica em pessoas que usam telefones celulares há mais de 25 anos. A incidência também aumenta caso o uso tenha começado antes dos 20 anos. A maior incidência é no lobo temporal, adjacente à orelha, e no lado onde o celular é mais usado.

O uso do viva-voz, fones de ouvido e escrever mensagens de texto em vez de falar ao celular são sugeridos para oferecer proteção parcial contra esses riscos.

O estudo você encontra aqui:
http://www.medscape.org/viewarticle/837035?nlid=75444_2709&src=cmemp

No ano passado publiquei uma longa análise sobre os riscos de aparelhos como tablets e celulares para crianças. O cérebro infantil está em desenvolvimento, e tem uma proteção óssea mais fina, portanto é mais suscetível a problemas como este. Aqui abaixo, o final do post e suas recomendações:

Em 2011 a Organização Mundial de Saúde classificou os campos eletromagnéticos de rádio-freqüência como possivelmente carcinogênicos, com base no aumento do risco de glioma associado ao uso de telefones celulares. Bélgica, França, Índia, e outros governos estão elaborando legislação sobre o tema e emitindo alertas sobre o uso de dispositivos sem fio por crianças.

O uso de telefones celulares não vai diminuir: eles são cada vez mais indispensáveis e na verdade “salvam mais vidas do que jamais serão perdidas”, diz o coordenador do estudo, Dr. Lunsford. O editor da The Lancet – uma das principais revistas médicas do mundo, Richard Horton, diz: “temos de agir usando a melhor informação científica possível. Mas isso não significa que devemos esperar até que tenhamos provas 100 por cento seguras. Quando a saúde está em jogo, devemos tomar medidas para diminuir riscos, mesmo quando o conhecimento científico não é conclusivo”.

Diante disso, como pais que desejamos o melhor para nossos filhos – sua saúde em especial – o que podemos fazer? Minha sugestão é utilizar o sempre razoável principio da precaução: se não temos certeza, melhor se precaver, se cuidar. Um inteligente dito popular diz: tudo que é demais faz mal. Evitar o exagero vai fazer bem de qualquer modo – não apenas para evitar um possível tumor ou a demência digital, mas para melhorar a qualidade de relações familiares e amizades, a qualidade de vida em geral e reduzir riscos de acidentes.
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Pra quem começou por aqui, estamos discutindo o excesso de uso de celulares e telas por crianças. Evidencias apontam que para além dos riscos já conhecidos do excesso de telas (obesidade, sedentarismo, insônia, agressividade, impulsividade, hiperatividade e problemas de atenção, perda da criatividade) somam-se novos: a “demência digital”- queda nas habilidades cognitivas e na memória de crianças, ansiedade social e agora o aumento do risco para tumores malignos.
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Então, as recomendações:
Para os telefones e outros dispositivos sem fio:
- A distância é sua amiga. Afaste a radiação de si e de seus filhos. Calcula-se que mantendo o telefone celular a 15 cm do ouvido diminuímos em milhares de vezes o risco.
- Quando ligado e não em uso, o telefone não deve ser mantido perto no corpo. O melhor lugar para um telefone celular é a bolsa ou a mochila.
- Os aparelhos devem ser mantidos longe da barriga da mulher grávida. A mãe não deve usar durante a amamentação. Uma criança que leva um celular no bolso da calça traz um risco potencial (não demonstrado, enfatizo: potencial) para a sua fertilidade. Não deixe uma adolescente colocar o telefone no sutiã. Ora, por motivos óbvios.
- Converse com crianças e adolescentes sobre como usar telefones com cuidado. Uma pesquisa do Pew Center nos EUA mostrou que 75% dos pré-adolescentes e adolescentes dormem a noite toda com o celular debaixo do travesseiro. Impensável.
- A babá eletrônica, esse aparelho inútil e invasivo do sono dos pais, não deve ser colocada no berço do bebê. Roteadores wifi devem ser mantidos fora do quarto das crianças.
Para as telas em geral:
- Limite o tempo de tela de seus filhos (e o seu). Para os menores de 2 anos, o recomendado é zero. Sabemos que isso é inviável, mas faça o possível para chegar perto.
- Para os mais velhos procure limitar o tempo a duas horas por dia. Acredite: é possível. Ofereça opções.
- Designe “momentos-sem-tela” na rotina de casa (refeições, hora de brincar com brinquedos de verdade, ler livros, contar historias, jogar);
- Designe “áreas-sem-tela”: uma boa ideia é limitar o acesso ao computador, TV e tablets às áreas comuns. TV no quarto é o veneno supremo. Para você também, aliás.

Finalmente: saia de casa. Vá com as crianças ao teatro, ao cinema, ao museu, ao show, à roda de brincadeiras. E o supremo antidoto: desfrute da natureza – parques, praças, bosques, praias, cachoeiras, florestas. Tem (quase) sempre uma perto de você neste país abençoado. Ali não há wifi, e melhor ainda se não houver sinal de celular por um tempo. Em vez de sinal, você vai ter conversa, convívio, troca de olhares, afeto, cuidado, desfrute, prazer, gelado, quentinho, abraço, beijo, brincadeira, jogos, gargalhadas, cantoria, histórias, balanço e gangorra, corrida e pulação, sujeira, bichos, fura-onda. E um tsunami de boas lembranças. São elas que ficarão na memoria afetiva de seus filhos e vão transformá-los em seres humanos melhores para si próprios e para a sociedade e o planeta onde vivem.

Crianças: já pra fora!!

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