Nossa responsabilidade

28.10.2013
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Muita gente compartilhando e comentando nossa publicação sobre bebês e aviões. Tomara que estejamos iniciando um movimento, e que as companhias aéreas sofram pressão. O Núcleo de Defesa do Consumidor da Defensoria Pública já notificou as empresas e aguarda uma resposta. Muito bom.

Vamos aproveitar que estamos mobilizados com a questão da segurança para falar de algo ainda mais sério e cotidiano. Carros são muito mais perigosos que aviões. Em nosso país o transporte terrestre é a terceira maior causa de mortes de crianças até 9 anos, e a primeira entre adolescentes de 10 a 19. Os acidentes com morte de crianças pequenas (até 12 meses de idade) aumentaram 60% na última década e na maioria das vezes o bebê estava dentro do veículo. Não precisamos de estatísticas para lembrarmos que o trânsito em nossas cidade é louco e violento – basta dar uma volta por aí.

A medicina trabalha sempre com a noção de risco. O risco de um problema grave para uma criança é infinitamente maior viajando num carro sem a devida proteção, do que pisando no chão frio ou tomando uma inocente corrente de ar sem o devido agasalho. Ou viajando solta num avião.

Por isso, é importante frisar que não podemos, em hipótese alguma, aceitar a possibilidade de uma criança sem a devida contenção e segurança quando um carro está em movimento. É impensável andar de carro no colo. É impensável tirar um bebê do assento porque está chorando. Se quiser tirá-lo, pare o carro, acalme o bebê e o recoloque no assento, e só então se pode voltar a dirigir. Nunca amamente um bebê com o carro em movimento. Um pouco de choro é melhor que um acidente grave, e é bom lembrar: eles acontecem em baixas velocidades, em pleno dia de sol, ao lado de nossa casa.

Idealmente, mesmo num taxi você deve usar o assento correto – ou melhor, ainda mais num taxi, em que você não conhece o motorista. Sabemos o quanto é difícil, mas é importante lembrar que essa responsabilidade é nossa.

E se você tem filho adolescente, mostre as estatísticas. São dezenas de milhares que morrem todos os anos; um verdadeiro genocídio, alimentado pela publicidade da cerveja, pelos smartphones, pela precária educação para a vida que recebem na escola e em casa, pelas más condições de ruas e estradas,e especialmente e pela impunidade no trânsito. Mais recentemente, os acidentes com motos tomaram a dianteira e as mortes aumentam em progressão geométrica.

Adolescentes tem pouca noção de risco, e muitas vezes é preciso ser “gráfico” com eles, como nas campanhas contra acidentes em países desenvolvidos. O “texting” vem se tornando a principal causa de acidentes de transito nas cidades, superando o álcool em países desenvolvidos. Aqui a associação entre bebida alcoólica e direção ainda é a maior culpada. Alertar nossos filhos sobre transporte seguro nas saídas da balada, e mostrá-los os perigos de usar o celular ao volante – sejam eles mesmos ou os amigos com quem estão de carona – é também nossa responsabilidade.

Abaixo, o link de uma campanha publicitária do governo britânico sobre texting ao volante. Atenção: é muito perturbador. Em quatro minutos, o video traz o espectador para dentro de um acidente. Assista somente se tiver estômago forte. Mas para trazer a noção dos riscos reais para um jovem motorista, pode ser muito eficiente.

http://www.youtube.com/watch?v=R0LCmStIw9E

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