Um golpe na indústria da cesárea

27.12.2013
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Um pequeno mas certeiro golpe na indústria da cesárea. Veja na reportagem: a Sociedade Americana de Obstetrícia, baseada nos problemas de saúde (respiratórios, auditivos, distúrbios do desenvolvimento) que se manifestam com mais freqüência em bebês nascidos antes de 39 semanas, acaba de redefinir a gravidez a termo.

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2013/10/1360844-obstetras-americanos-mudam-a-definicao-de-hora-certa-para-o-parto.shtml

Agora, o final da gravidez foi deslocado oficialmente para a 39a semana. Bebês a termo, isto é, não prematuros, são aqueles nascidos entre 39 e 42 semanas.

São tantas as histórias de mulheres que tiveram seus bebês arrancados antes dessa data… por motivos tantas vezes supérfluos. Ou que por razões da mesma categoria, escolheram ter seus partos marcados antes deste momento – por terem sido contaminadas pela (cruel) cultura da cesárea desnecessária, que domina a maior parte da nossa sociedade.

São tantos os bebês que “já tinham 38 semanas” no ultra-som, que estavam “prontos para nascer”, que tinham 3 kg e 200. E que acabaram nascendo com 2kg e 600, imaturos, passando um bom período numa UTI, ou pior, sofrendo sequelas às vezes irreversíveis.

A cesárea eletiva, marcada sem uma indicação clínica precisa, por motivos fúteis ou enganosos, segue sendo um dos piores aspectos da medicalização da vida. Transformando um momento de êxtase, de encontro, de amor, numa intervenção cirúrgica cruenta. Por mais que seja feita com eficiência e rapidez, não faz sentido indicá-la sem uma razão bem clara. Neste caso, como sempre dizemos, ela é ótima – e salva vidas. Mas certamente não é o caso da grande maioria dos vergonhosos 93% de partos cesáreos em nascimentos nas maternidades privadas do Rio de Janeiro.

O filme que você encontra no link foi feito por uma brasileira radicada no exterior, que volta ao Brasil para cobrir as nossas manifestações de junho. Nesse momento, entra em trabalho de parto, e acaba sofrendo uma violência obstétrica. O curta mescla imagens das manifestações e do parto.

Não concordo com a totalidade do texto narrado, mas trata-se de um impressionante testemunho sobre a violência que assola nossa sociedade – na política, nas relações sociais e nos hospitais. As imagens em si não tem nada de terríveis, mas a violência está presente em cada segundo do filme. O momento em que a mãe chora, literalmente crucificada num centro cirúrgico, é de uma tristeza infinita. É preciso estômago forte.

http://www.youtube.com/watch?v=X2tmo-equPM#t=722

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