Uma Criança e a Natureza

17.06.2014
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Uma gota de chuva. Duas. Milhares. Água cai do céu!

Água cai do céu, gente. Como pode? Que maravilha. Água cai do céu.

Acabei de começar a andar, mas quando vejo água caindo do céu, eu danço. Eu faço aquilo que nasci pra fazer: brinco. Eu rio, me divirto. Me encanto, me fascino, entro quase em êxtase. Descubro, cresço, aprendo. Ou se você preferir: acrescento milhares de sinapses entre meus neurônios, tomo banhos de serotonina e dopamina, crio impressões positivas na minha memória afetiva; desenvolvo conexões que vão me permitir ser mais feliz e mais inteligente, mais em paz com a vida e com a natureza, enfim, uma pessoa melhor pra mim, pra meus pais e pro mundo, agora e mais tarde.

Se minha mãe não tivesse deixado eu sair na chuva, nada disso teria acontecido. Eu teria ficado meio inerte dentro de casa. Se minha mãe fosse legal o bastante pra brincar comigo em vez de me deixar tomando Discovery K*ds na veia, seria legal também. Eu também me desenvolveria, criaria sinapses bacanas, memórias afetivas.

Ah, mas ainda bem que ela me deixou brincar na chuva. Água cai do céu, gente! Faz cosquinha, molha, esfria a pele, aquece o coração. Como eu fui feliz. Como eu sou feliz!

Se minha mãe tivesse medo de eu me resfriar, nada disso… mas peraí. Chuva resfria? Ficar molhada? Não… o que causa resfriado é vírus! Frio pode até predispor, mas se não estiver uma creche cheia de outras crianças pra pegar um vírus, eu posso sair na chuva e não ficar gripada. Posso sair na chuva e ficar só fascinada. Feliz.

E olha, sabe o que? Se eu tivesse ficado resfriada, teria valido a pena. Um dia de resfriado pra cada sorriso de alegria, pra cada descoberta, pra cada grão de felicidade que ganhei nessa tarde de chuva.

Água cai do céu!

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