Filhos melhores e mais inteligentes? Telinhas X Realidade

17.06.2014
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(atualizando nossa publicação mais popular)

Atenção, mães e pais que desejam criar filhos mais inteligentes. Pesquisas diferentes apontam na mesma direção, aquela que os sábios de todos os séculos que nos antecederam já sabiam. Não é o Baby Einstein que vai fazer seu filho mais inteligente. Não é ouvir Discovery em inglês; não é CD com Mozart (nada contra!), nem brincar com joguinhos inteligentes no tablet ou no iphone ou no computador, nem ligar a TV nos programas “educativos”.

O que vai fazer seu filho mais inteligente, melhor, mais humano, mais bacana é interagir com gente. Ah, livros também ajudam.

Inúmeras pesquisas já deixam claro: bebês não precisam de brinquedos caros nem ipads; bebês até ao menos 18 meses se beneficiam pouco da interação social em grupo com outras crianças (quem aproveita bem esse contato são os vírus e bactérias). A melhor estimulação para eles são as trocas afetivas diretas, a interação com o outro, os cuidados do dia a dia – banho, refeição, conversa, passeios, o brincar com o cuidador. E mais tarde, os brinquedos simples e os livros, que permitem que a criança crie seu próprio universo lúdico e imaginário. Naqueles momentos preciosos em que seu filho está interagindo com você, com livros, com bonequinhos, uma casinha, uma caixa de papelão e contando uma história pra si mesmo em voz alta, pode ter certeza de que ali ele está se tornando uma pessoa melhor.

E ainda me aparece essa reportagem:
<a href=”http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Foglobo.globo.com%2Feconomia%2Fcreches-hi-tech-proliferam-no-rio-chegam-custar-mais-de-2-mil-por-mes-7605446&amp;h=WAQFyMd3w&amp;s=1″ rel=”nofollow nofollow” target=”_blank”>http://oglobo.globo.com/economia/creches-hi-tech-proliferam-no-rio-chegam-custar-mais-de-2-mil-por-mes-7605446</a>
… mostrando que creches mais caras do Rio, as que cobram 2.500 reais colocam ipads no berçário. É curioso, pois a exposição precoce às telinhas e a estimulação excessiva pelos tecnologia é exatamente uma atividade nociva para o bebê, que queremos evitar.

A criança brasileira detém o recorde mundial de tempo de televisão: mais de cinco horas. Pois é, mais que os americanos. Incrível? Não: nossas crianças passam em média 3 a 4 horas na escola, contra 6 a 8 horas da galerinha do norte. Nossos filhos estão sendo educados por publicitários. E eles não são bobos. Já se incluirmos tablets e telefones, os americanos chegam a incríveis sete horas e meia. Com a portabilidade, o tempo de exposição aumentou exponencialmente.

Temos muitos motivos para deixar nossos filhos em frente à TV ou ao computador/tablet. É nosso próprio hábito, acabamos sendo permissivos para com nossos filhos. Todos sabemos como é difícil evitar: como a vida moderna nos pressiona a deixá-los tempo demasiado à frente da telinha. Quem tem filhos em idade escolar sabe como a pressão dos pares e da sociedade em geral faz com que esses aparelhos dominem o mundo do entretenimento, da educação, do lazer, das relações interpessoais. Mas precisamos permitir o excesso, ou pior, expor os bebês?

É preciso no mínimo saber que é nocivo e desnecessário. O tempo recomendado máximo de TV/tablets recomendado pelos experts da Academia Americana de Pediatria para crianças até dois anos é: zero! (no entanto, mais de 50% dos apps da Itunes Store são direcionados para crianças pequenas). Criar o hábito muito precocemente – por exemplo, oferecer um tablet a cada vez que seu filho demonstra um pouco de tédio – pode conduzir a um comportamento quase compulsivo, e a uma incapacidade de lidar com a vida real, que às vezes é simplesmente tediosa. É nos momentos de tédio que as crianças tem a oportunidade de ser criativas, de usar a imaginação, de aprender a fazer companhia a si próprias e a lidar com o estar só.

O excesso pode ter conseqüências mais sérias. O tempo de telinha está diretamente ligado à obesidade (a relação é simples: quanto mais tempo, mais quilos) e às dificuldades de atenção. Pesquisas mostram um aumento de 10% no risco de distúrbios da atenção para cada hora de TV! Ela deixa as crianças num estado passivo, onde aprendem pouco, não interagem, não questionam, não refletem, apenas absorvem (e muito bem) as mensagens publicitárias – quase sempre muito tóxicas. Em média uma criança brasileira é submetida a 15 a 20 anúncios de junk food (comida-veneno) por dia de televisão, além de mensagens que estimulam o consumismo desenfreado, a erotização precoce, a futilidade.

O pior brinquedo para uma criança é aquele em que ela aperta um botão e a coisa responde com uma ação qualquer. Como não há nenhum espaço para a criatividade e a fantasia, ela se cansa em minutos. E aí ela pede outro – o que é ótimo para o mercado. Porque um bebê aprenderia noções como alto, baixo, maior e menor num plano de duas dimensões, se a realidade é tridimensional, é muito mais pedagógica, mais divertida e é nela que ele vai viver? Os tablets e computadores, por mais “educativos” que sejam, oferecem cenários prontos, interações fechadas, limitadas.

Nossos filhos farão parte dos grandes usuários destes aparelhos, certamente. Ninguém poderia prever, mesmo há 10 anos, que um smartphone pudesse realizar tantas funções quanto o fazem hoje. Eles são a base da vida moderna, e certamente serão a plataforma do futuro. Mas a vida acontece também no mundo real. Permitir que nossas crianças mergulhem – sem limites muito claros, com excessiva precocidade – nesse mundo de virtualidades e muito permeado por consumismo e propaganda, é pernicioso e tóxico. Lá fora estão a família, os amigos, a natureza, a vida – estas sim, dimensões essenciais do que vai compor a sua felicidade. É nesta realidade que devemos, no mínimo também, “viciar” nossos filhos desde muito pequenos.

Alguns jogos são geniais, admiráveis e sem duvida pedagógicos. Mas certamente muito limitados diante do mundo infinitamente belo e complexo que é a imaginação e a criatividade de uma criança.

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