Produtos químicos: precaução e moderação fazem bem

27.12.2013
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A Saúde Ambiental é uma das áreas que mais cresce na saúde pública. Ela estuda as conexões entre meio ambiente e saúde humana. Há uma incrível convergência entre essas duas dimensões da vida. Tudo que faz bem à saúde faz bem ao meio ambiente, e vice versa. Tomem qualquer exemplo: andar de bicicleta. Faz bem à saúde física e mental; ao mesmo tempo, reduz os engarrafamentos, gera um maior contato com o espaço público, e acabamos por exigir intervenções urbanas mais humanizadas, mais praças, mais jardins, mais transporte público…

Na vertente positiva dessa convergência, sempre insistimos aqui no contato com a natureza como sendo um dos maiores presentes que podemos oferecer para nossos filhos: previne e trata o sobrepeso, melhora a imunidade e as alergias, promove a saúde cardiovascular, e especialmente, reduz o déficit de atenção, a impulsividade, enfim, melhora a saúde mental e física da criança – sem falar na saúde espiritual… Lembramos também a importância de expor as crianças à natureza como crucial para a sobrevivência humana no planeta. Mas essa é uma outra conversa.

Na sua vertente negativa, a Saúde Ambiental estuda os danos à saúde causados por agentes químicos e contaminantes ambientais, e mais recentemente, as conseqüências das mudanças climáticas, do acúmulo de lixo, da falta de saneamento e do esgotamento de recursos naturais. Temos muito o que falar sobre esses temas. Mas hoje gostaria de chamar a atenção sobre um aviso da poderosa FDA, agência que regula a produção e o consumo de alimentos e remédios nos EUA.

Seus críticos a acusam de ter relações espúrias com a industria farmacêutica e alimentícia. Foram muitos os casos em que um remédio foi liberado rapidamente para ser recolhido meses ou anos depois, já demonstrados efeitos colaterais às vezes catastróficos. Ou de aceitar indicações inadequadas de remédios. Ou de ser liberal demais com alimentos tóxicos para crianças. Mas enfim, é bom ter uma agência poderosa minimamente preocupada com as conseqüências do consumo de remédios e produtos químicos para a saúde humana.

Pois é, e agora a FDA investiga se os sabonetes antissépticos – que usamos com freqüência em nossos filhos – podem ser na verdade prejudiciais à saúde. Não há provas de que os produtos anti-bacterianos são mais eficazes na prevenção de doenças do que água e sabão, e alguns dados ainda sugerem que eles podem representar riscos para a saúde com o uso a longo prazo. Por exemplo, a exposição prolongada ao triclosan e triclocarban, os ingredientes ativos em produtos como Proderm, Protex, Neutrogerm, Soapex e o sabonete antisséptico Granado, poderiam levar à resistência bacteriana ou a efeitos hormonais. O primeiro faz propaganda até como hidratante para o bebê. Eu nunca entendi isso – um produto que era usado como sabonete antisséptico passar a hidratante? Na pele do bebê, o uso contínuo de antibacterianos poderia provocar desequilíbrios de flora e predispor por exemplo a assaduras e monilíase (uma micose comum na área da fralda). Não creio que haja problemas com o uso eventual. Aliás, a moderação é sempre uma boa regra.

A agência está atualmente conduzindo uma revisão da segurança e da eficácia destes produtos, e exigindo dos fabricantes provas de que são mais eficazes do que água e sabão comum na propagação de infecções; e de que são seguros para uso diário a longo prazo.

Uma das principais revistas científicas do mundo, a Scientific American, mostra que somos expostos a mais de 50 mil substâncias químicas em nosso dia a dia. A EPA, agência de proteção ambiental americana, só pode proibir o uso de uma substância após ter sido provado que ela causa danos. Das 50 mil, apenas 300 foram testadas, e apenas 5 foram proibidas, entre elas o terrível amianto e as dioxinas. Vejam o caso do BPA, há pouco usado em quase todas as mamadeiras e depois proibido por ser cancerígeno. Diante disso, é bom sempre usar o principio da precaução: usar o mínimo de produtos químicos, e tentar oferecer a nossas crianças mais produtos simples, naturais, orgânicos se possível.

http://www.consultant360.com/exclusives/think-twice-about-using-antibacterial-soap

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