Uma criança é o mundo inteiro.

29.11.2015
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Ainda bem que alguém escreveu assim sobre esta cena e o que ela significa. Porque eu já não sabia mais o que fazer com ela. Um menino de 3 ou 4 anos, em vez de olhar para a frente e ver a infinitas possibilidades de seu futuro, mira a areia opaca com seus olhos fechados – para sempre.

A esperança se acende no coração quando a gente lê iniciativas como a da Islandia, onde 12 mil pessoas se inscreveram num grupo do FB para receber refugiados sírios, quando o governo disse que só aceitaria 50. Ou de Barcelona e Madri (na reportagem: “agora governadas por grupos da nova esquerda, originada nos movimento de protesto”), que estão criando uma rede de cidades que acolherão refugiados.

Vale lembrar que aqui em nosso país, no nosso quintal, milhares de crianças pobres são mortas todos os anos, pela inútil guerra às drogas, por polícias violentas, milícias cruéis, por políticos e gestores que desviam recursos de impostos que pagamos para lhes dar saúde, educação e proteção.

Um trecho:

“O guarda fez o gesto desesperado; mas antes do guarda foi o mundo que não soube salvá-la; o guarda foi o herói dos olhos tristes, fez tudo o que podia. O mundo não soube salvá-la. Seu único destino, o de seus pais, o de seus passos, era sobreviver; seu horizonte não era sequer viver, ter profissão, amores e despedidas: seu destino, esse que agora jaz sem vida no mundo, era o de desenhar na areia a casa, o barco, e já não há nem casa nem barco nem nada. Não há nada. O mundo levou-lhe tudo: nem este nem aquele, nem este país nem este outro: o responsável por esta terrível expressão dos nossos tempos é o mundo inteiro, porque a criança é também o mundo inteiro. Suas mãos são os desenhos que deixa, seu corpo de três ou quatro anos é o que resta da árvore que ela teria imaginado que era a vida, e antes da hora soube que o mundo não sabe salvar as crianças, porque também desconhece como se salvar. Aí jaz, nessa praia, o mundo inteiro.”

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