A incrível epidemia da cesárea inventada

13.01.2013
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Se você está lendo este post, é brasileira, carioca, teve seu parto no Rio em um hospital privado, seu filho ou filha deve ter nascido por cesariana. Ela responde por mais de 90% dos partos em maternidades privadas (em países “normais” o índice vai de 12 a 25%). Uma das piores epidemias no Brasil é a de cesarianas. Hoje nossa sociedade como um todo está imersa em uma cultura do parto cesariano, criada por interesses e conforto dos médicos e hospitais, e que se espalhou entre as mulheres por uma espécie de “marketing” do absurdo.

Hoje a mulher brasileira tem medo de parto normal e está convencida de que a cesárea é mais segura, indolor, “moderna”. Tudo mentira – como nossas avós acreditaram na mentira de indústrias como a Nestlé, de que leite materno era ruim, fraco, “coisa de pobre”. Muitas vezes a mulher deseja o parto normal, o médico garante que é “a favor” e na última hora surgem inúmeras ‘indicações” duvidosas para a cesárea.

É claro que ela tem suas indicações e pode salvar vidas, mas trata-se de uma grande cirurgia, com mais complicações que o parto normal para mulher, mais dor, mais problemas a longo prazo. Não faz sentido indicá-la como uma “escolha” a priori para o nascimento de um bebê, muito menos marcar a data para um bebê nascer (sem perguntar a ele, ou à natureza). O parto normal hoje pode ser seguro, quase indolor, e garantir mais saúde para o bebê, um pós parto muito melhor e menos complicações e dor para a mãe, amamentação mais tranquila, e muitas outras vantagens.
Infelizmente, uma grande parte das mulheres já chega ao obstetra com essa decisão feita – contaminadas pela triste “cultura da cesárea”.

Estudos recentes vêm demonstrando os potenciais danos que a cesariana desnecessária faz aos bebês. Além dos inúmeros casos de prematuridade que lotam UTIs neonatais pelo Brasil afora. Como em tudo na medicina, são apenas estatísticas – o que significa que os resultados dos estudos não se aplicam necessariamente a um bebê em particular, isto é: o seu filho. Tratam do aumento do risco de doenças e problemas em crianças que nasceram por cesárea. A ideia é alertar contra o excesso, contra a cirurgia desnecessária, em especial a marcada por conveniência.

E o que dizem os muitos estudos recentes sobre o tema?
Parece que a medicina, como no caso do leite materno e tantos outros, acaba por descobrir que a volta à natureza é melhor, sempre que possível. Lembrando que o parto cesariano é uma grande invenção humana, que salvou milhares de vidas desde seu advento. Estamos propondo aqui uma reflexão sobre o excesso do seu uso, em especial quando é feito apenas por conveniência. Nossa intenção é nos contrapor à “cultura” da cesárea, contribuindo para que o parto normal, natural, volte a ser a “norma”…Alguns dos riscos associados à cesárea são provavelmente relacionados com o contato com bactérias protetoras do canal do parto. Essas bactérias são um fator protetor para a saúde, sobretudo contra alergias. Provavelmente por isso, crianças nascidas de parto vaginal tem menor risco de doença celíaca (alergia ao glúten), rinite e asma. No caso da bronquiolite, curiosamente, o índice é 10% pior para cesarianas eletivas (marcadas).

Outro dado interessante é a clara associação entre a via do nascimento e obesidade aos 3 anos: o índice dobra nos nascidos em partos cesáreos (15% para 7,5% dos nascidos em parto vaginal). Essa relação persiste mesmo controlando-se outros fatores. Outra doença mais comum entre crianças que nascem de cesárea é a diabetes tipo 1 (aumento de 20% do risco) – que seria explicado pela mesma hipótese, da exposição à flora vaginal normal da mãe, que favorece o equilíbrio natural do sistema imunológico.

Complicações respiratórias no pós parto também são mais comuns na cesárea. No parto normal, a passagem pelo canal vaginal comprime o tórax do bebê e estimula a saída do líquido amniótico para que o ar possa entrar. Cerca de 12% dos bebês que nascem de cesariana eletiva (a cesárea marcada) vão para a UTI. No caso dos bebês que nascem de parto normal, o número cai para 3%”, segundo Renato Kalil, obstetra do hospital Einstein.

Segundo a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), a alta prevalência de bebês prematuros no Brasil parece estar relacionada, em grande parte, às cesarianas e às induções do trabalho de parto realizadas antes da completa maturidade fetal. Bebês de 37 a 38 semanas de gestação possuem 120 vezes mais chances de apresentarem complicações respiratórias do que recém nascidos com mais de 39 semanas. E o risco de mortalidade materna é 2,8 vezes maior nas cesarianas eletivas (sem emergência) do que no parto vaginal.

Para a mãe, é claro que o pós parto é muito melhor no nascimento natural. Afinal, o corte da cesárea atinge sete camadas de pele, tecido e músculo até chegar ao bebê. Cada camada é costurada separadamente. Tudo isso pode ser muito doloroso. Depois do parto normal as atividades de rotina podem ser retomadas em geral em um ou dois dias; na cesárea o período de repouso até poder realizar tarefas simples pode levar muito mais tempo. E não é difícil entender porque é muito mais fácil amamentar se o bebê nasceu de parto normal. Além de menos dor, melhor mobilidade e menos cansaço, hormônios liberados durante o trabalho de parto contribuem para a descida do leite materno.

O gráfico logo abaixo mostra a incrível diferença entre o Brasil e a grande maioria dos países do mundo. Somos campeões mundiais da cesárea desnecessária. Isso exige uma reflexão séria.

É sempre bom enfatizar que a cesariana bem indicada salva vidas; que as estatísticas e dados gerais aqui apresentados não se aplicam a nascimentos individuais; e que, é claro, partos normais podem ser difíceis e dolorosos e cesáreas podem ser perfeitas. Alias, a cesárea foi criada para substituir o parto normal quando necessário. Que assim seja…

Foto: Voltando à discussão sobre a cesárea desnecessária, vamos ver o que dizem os muitos estudos recentes sobre o tema. Parece que a medicina, como no caso do leite materno e tantos outros, acaba por descobrir que a volta à natureza é melhor, sempre que possível. Lembrando que o parto cesariano é uma grande invenção humana, que salvou milhares de vidas desde seu advento. Estamos propondo aqui uma reflexão sobre o excesso do seu uso, em especial quando é feito apenas por conveniência. Nossa intenção é nos contrapor à “cultura” da cesárea, contribuindo para que o parto normal, natural, volte a ser a “norma”...

Alguns dos riscos associados à cesárea são provavelmente relacionados com o contato com bactérias protetoras do canal do parto. Essas bactérias são um fator protetor para a saúde, sobretudo contra alergias. Provavelmente por isso, crianças nascidas de parto vaginal tem menor risco de doença celíaca (alergia ao glúten), rinite e asma. No caso da bronquiolite, curiosamente, o índice é 10% pior para cesarianas eletivas (marcadas).

Outro dado interessante é a clara associação entre a via do nascimento e obesidade aos 3 anos: o índice  dobra nos nascidos em partos cesáreos (15%  para 7,5% dos nascidos em parto vaginal). Essa relação persiste mesmo controlando-se outros fatores. Outra doença mais comum entre crianças que nascem de cesárea é a diabetes tipo 1 (aumento de 20% do risco) – que seria explicado pela mesma hipótese, da exposição à flora vaginal normal da mãe, que favorece o equilíbrio natural do sistema imunológico.

Complicações respiratórias no pós parto também são mais comuns na cesárea. No parto normal, a passagem pelo canal vaginal comprime o tórax do bebê e estimula a saída do líquido amniótico para que o ar possa entrar. Cerca de 12% dos bebês que nascem de cesariana eletiva (a cesárea marcada) vão para a UTI. No caso dos bebês que nascem de parto normal, o número cai para 3%”, segundo Renato Kalil, obstetra do hospital Einstein.

Segundo a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), a alta prevalência de bebês prematuros no Brasil parece estar relacionada, em grande parte, às cesarianas e às induções do trabalho de parto realizadas antes da completa maturidade fetal. Bebês de 37 a 38 semanas de gestação possuem 120 vezes mais chances de apresentarem complicações respiratórias do que recém nascidos com mais de 39 semanas. E o risco de mortalidade materna é 2,8 vezes maior nas cesarianas eletivas (sem emergência) do que no parto vaginal.

Para a mãe, é claro que o pós parto é muito melhor no nascimento natural. Afinal, o corte da cesárea atinge sete camadas de pele, tecido e músculo até chegar ao bebê. Cada camada é costurada separadamente. Tudo isso pode ser muito doloroso. Depois do parto normal as atividades de rotina podem ser retomadas em geral em um ou dois dias; na cesárea o período de repouso até poder realizar tarefas simples pode levar muito mais tempo. E não é difícil entender porque é muito mais fácil amamentar se o bebê nasceu de parto normal. Além de menos dor, melhor mobilidade e menos cansaço, hormônios liberados durante o trabalho de parto contribuem para a descida do leite materno.

O gráfico logo abaixo mostra a incrível diferença entre o Brasil e a grande maioria dos países do mundo. Somos campeões mundiais da cesárea desnecessária. Isso exige uma reflexão séria.

É sempre bom enfatizar que a cesariana bem indicada salva vidas; que as estatísticas e dados gerais aqui apresentados não se aplicam a nascimentos individuais; e que, é claro, partos normais podem ser difíceis e dolorosos e cesáreas podem ser perfeitas. Alias, a cesárea foi criada para substituir o parto normal quando necessário. Que assim seja...

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